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   domingo, 18 de agosto de 2019
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EXPORTADORES DA AGROINDÚSTRIA E ROUPAS GANHAM COM ALTA DO DÓLAR


por Vinícius Lemos Os empresários de Uberlândia, ligados aos setores da agroindústria e do vestuário que fazem exportação, comemoram bons resultados com o aumento do preço do dólar. A moeda norte-americana fechou, ontem, cotada a R$ 3,36, com alta de 0,36%, chegando ao maior valor dos últimos 12 anos. Segundo Galvão, produtores de soja e milho obtêm bons preços (Foto: Celso Ribeiro) De maneira geral, os exportadores conseguem melhores resultados com a elevação do dólar por obterem preços mais altos no mercado externo, mas com custos de moeda local. O vice-presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Uberlândia (Sindivestu), Daniel de Sousa Moura, explicou que, por esse motivo, produtos de Uberlândia vendidos para fora do País têm retorno atrativo. E, até as empresas que não têm distribuição internacional e pagam por matéria-prima importada, tiveram resultados que ainda valem a pena, mesmo com a alta do dólar. “O tecido importado é 20% ou 30% mais barato que o nacional. Indústrias locais gastam muito com impostos”, disse. Exportadora há cerca de quatro anos, uma indústria de roupas de banho de Uberlândia teve um acréscimo de 5% no faturamento, em 2015, no mercado externo com a entrada em países, como Espanha, Estados Unidos, Chile e Moçambique. “Com o lançamento da coleção 2016, a tendência é do faturamento melhorar ainda mais”, disse a representante da empresa Priscila Wenceslau, que também aponta aumento nos ganhos com o aumento do preço do dólar. Agro Segundo o diretor de uma consultoria de agronegócio Anderson Galvão, produtores de café, soja e milho de Uberlândia e região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba conseguem bons preços mesmo quando não fazem a exportação direta. “Mercados de commodities, como a soja, têm concorrência perfeita. Se a alta dos valores não é repassada por uma empresa que beneficia o produto, o concorrente o faz para o produtor.” O aspecto negativo, neste setor, está nos reajustes de insumos, como fertilizantes, defensivos agrícolas e sementes. Hoje, no Brasil, 70% deles são importados e esse panorama afeta exportadores e produtores de hortifrútis para mercado interno. O consultor, entretanto, afirmou que esse ainda não é um fator que compromete ganhos de maneira alarmante. Aumento na cotação diminui a procura pelas viagens internacionais Enquanto os setores de agroindústria e vestuário ganham com a alta do valor do dólar, o de turismo perde, quando a análise leva em conta apenas as viagens para fora do País. A Associação das Agências de Viagens do Triângulo Mineiro (Avit) não tem um levantamento sobre quedas nesse tipo de viagens, mas o representante Wesley Fernandes de Oliveira explica que os pacotes são diminuídos para que os preços sejam mantidos ou terem pequena alteração. Valores de pacotes domésticos podem compensar também. “Viagens internacionais para lazer ainda têm boa procura, mas destinos para compras não compensam mais. Valores gastos lá, devido à alta do dólar, serão iguais aos daqui, só que com custos do deslocamento”, disse. A estratégia é ter parceria com os fornecedores, que buscam compensar com descontos em atrações nos destinos e até mesmo diárias mais baratas. Açúcar De acordo com a Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), o açúcar não foi beneficiado com a alta do dólar. O maior aumento da moeda em 12 anos beneficiaria o setor, mas, como o Brasil tem uma participação de quase 50% no mercado mundial do produto, a formação de preço lá fora leva em consideração a economia brasileira. Com a desvalorização do real, o preço do açúcar seguiu essa baixa. Ao mesmo tempo, a dívida em dólar foi impactada com o aumento do valor da moeda norte-americana. “Ficamos no zero a zero. O faturamento continua o mesmo que o registrado no ano passado”, disse presidente da Siamig, Mário Campos. Moeda norte-americana tem influência direta na inflação no Brasil O preço do dólar em alta pressiona a inflação em território brasileiro, devido à influência direta da moeda norte-americana sobre as commodities, que são produtos cuja cotação é feita internacionalmente, a exemplo de petróleo, soja, minério de ferro e outros. “Mesmo que as vendas sejam feitas no Brasil, os preços desses commodities são cotados lá fora. Toda a cadeia é afetada por esses custos. Quando o dólar aumenta os preços, o produtor vê em que mercado o valor está em alta e vende”, afirmou o economista Leonardo Baldez. As altas, invariavelmente, são repassadas nos preços para o consumidor final e a inflação acompanha esses reajustes, segundo o economista. Fonte: http://www.correiodeuberlandia.com.br/cidade-e-regiao/exportadores-da-agroindustria-e-roupas-ganham-com-alta-do-dolar/

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