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   sexta-feira, 23 de agosto de 2019
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TRIANGULO DESPONTA NA MODA - JORNAL ESTADO DE MINAS


Triângulo desponta na moda - MERCADO » Só a cidade de Uberlândia conta com cerca de 200 empresas formais no ramo de confecção. Criatividade em bordados especiais e ênfase nos modelos de festa são principais atrativos Laura Valente Publicação: 21/12/2014 04:00 Fethie (fethie/divulgação) Fethie Não vem de hoje a fama de Minas Gerais como celeiro de criadores de moda. Tanto que muitos talentos que já brilharam e ainda brilham no cenário fashion são frutos da terra. Da velha guarda, o saudoso Markito, nascido em Uberaba para conquistar o jet set internacional com seus modelos de paetê. Entre os novos talentos, Patrícia Bonaldi, radicada em Uberlândia, que estreou com a sua Pat.Bo na última edição da São Paulo Fashion Week (SPFW). Apesar da distância de anos e gerações, eles revelam, em comum, a atuação no segmento festa e a origem em cidades do Triângulo. Aliás, a região tem sido destaque como um dos principais pólos de confecções do estado, sendo grande parte especializada em modelos sofisticados, talhados com tecidos nobres e enriquecidos por bordados manuais. Com participação de peso em feiras como a Minas Trend, venda expressiva em showroom, presença nas melhores multimarcas do país e até do exterior, grifes locais como Alfreda, Fabiana Milazzo, Fethie e outras são exemplo de que aquela região tem tino para a produção de produtos elaborados e autorais. Presidente do Sindicato das Indústrias de Vestuário de Uberlândia (Sindivestu), Alba Lima revela que há 200 empresas formais de confecção na cidade, sendo a maior parte dedicada ao segmento festa. “A Patrícia Bonaldi e a Fabiana Milazzo já despontaram até no cenário internacional, mas há outras que vêm crescendo a olhos vistos. É o caso da Alfreda, por exemplo, que já está na boca do povo, além de grifes que têm aumentado negócios e produção depois da participação no Minas Trend, como Bixugrillo, Raquel de Queiroz, Lady Jane, Neusa Faria, Ferreira Matos Atelier e muitas outras”, cita. Para explicar tamanho sucesso, Alba lembra que desde os tempos em que imperava a cultura das costureiras, que foi muito forte na cidade, havia desejo de criatividade, customização de modelos com peças sob medida e bordados manuais. “Essa característica também foi incorporada nos atuais ateliês de moda. Aqui, há grifes que já brotam fazendo sucesso, justamente por apresentar esse DNA diferenciado nas criações.” A presidente do Sindivestu cita ainda o apoio de entidades como a Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), por meio da promoção de cursos de capacitação e outras iniciativas. “Nesse sentido, há programas sobre a importância do desenvolvimento sustentável, a capacitação de novos trabalhadores, a viabilização de palestras, oficinas e seminários. Enfim, uma gama de eventos que propicia ao trabalhador e ao empreendedor uma visão completa sobre o negócio”. Acabamento minucioso Lançada este ano, a Alfreda já está presente em 60 pontos de venda de todo o país (na Clô, em Belo Horizonte), muitos conquistados nas duas últimas edições do Minas Trend. Isso por que os sócios da empresa, os irmãos Daniel e Nando Alves, que já eram proprietários da Nectarina, grife de moda casual chique, apostaram na experiência para lançar um novo negócio, dessa vez com foco em um “público seleto e carente de produtos de luxo”, como descrevem. Nomeada em homenagem à avó dos sócios, a grife tem Juliana Rainho no estilo, cargo que divide com Daniel, também estilista. Cada coleção traz cerca de 100 modelos diferentes," com algumas peças mais representativas, com elementos que ilustram o DNA da marca”, aponta Daniel. Entre a matéria-prima eles destacam tecidos nobres como adamascado, tule, piquê, seda, renda, organza e couro natural. Outra característica é contar com o trabalho de bordadeiras experientes, com alto padrão de acabamento na criação de desenhos delicados e clássicos. “Temos optado por peças mais clean, pouco carregadas de pedrarias, até por exigência do mercado.” Por enquanto, a comercialização é apenas por atacado, com peças cujo preço médio é R$ 3,5 mil. Há planos de abrir loja própria em São Paulo. A exportação também é um projeto para 2015, assim como a participação em desfiles nacionais. Já lançada, a coleção de verão 2014’15 foi inspirada na Itália e traz modelos que apresentam cortes de alfaiataria fluída e shapes lady, como apontam. A cartela de cores revela “paisagens românticas”: amarelo-Sicília, nude-Toscana, laranja-peach e verde-água. O grupo acredita que a Alfreda se destacou entre as várias grifes de moda festa em tão pouco tempo por apresentar peças delicadas, com detalhes e acabamentos minuciosos. E avalia o mercado de Uberlândia. “O Triângulo mineiro já vem se destacando em várias áreas e na moda não é diferente. A região possui muita mão de obra para esse tipo de produto, com pessoas capazes de transformar matéria-prima em peças que são verdadeiras obras de arte”. Modelagem moderninha Veterana no salão de negócios e nas passarelas do Minas Trend, evento do qual participa há seis anos, a grife Fabiana Milazzo já tem 12 anos de fundação. O ateliê e uma das lojas próprias são sediados em Uberlândia, terra natal de Fabiana, que divide o estilo com Letícia Manzan. A outra loja fica em São Paulo. A grife conta com 90 pontos de venda no país (em BH, Íris Clemência e Deluxe). Apaixonada pelo segmento, Fabiana estudou moda e modelagem na Itália. No retorno, lançou a grife especializada em “uma roupa feminina e sofisticada, que vai do casual chique à festa, com modelagens jovens e forte apelo manual”, como descreve. O público-alvo é entendido como uma mulher global que gosta de moda. Em cada coleção são criadas, em média, 120 peças, com ênfase em vestidos de festa e em modelos casual chique com shapes modernos. Os tecidos elaborados (rendas e tules), além da estampa também têm uma grande importância comercial para a grife, como descreve Fabiana. O preço das peças varia de R$ 200 a R$ 8 mil. “Gosto muito de inovar nas modelagens, o que é mais raro em roupas de festa, até porque o mercado pede peças mais clássicas. Talvez esse seja o nosso diferencial”. O trabalho manual também é citado. “Os nossos bordados são hoje nacionalmente conhecidos, estamos sempre buscando usar novas técnicas e materiais, o nosso DNA é reconhecido pelo handmade, estampas e shapes inovadores.” Entre os planos para um futuro breve, ela destaca a expansão da marca no mercado externo. Participando de feiras em Paris desde o início do ano, a grife já marca presença em multimarcas de 15 países, incluindo as famosas Luisa Via Roma (em Florença) e a Harvey Nichols. Fabiana também aposta na identidade como diferencial da grife. “Fazemos um trabalho autoral, todas as nossas coleções têm um tema de inspiração que nos acompanha por seis meses, o que faz com que todas as nossas peças fiquem diferentes do que já existe.” Ela cita o sucesso da região em que nasceu como celeiro de criadores. “A moda brasileira está em ascensão como um todo, e no Triângulo Mineiro não é diferente. Tem muita gente boa por aqui.” Casual diferenciado Em um mundo em que pouco se cria e muito se copia, ideias inovadoras animam o mercado, trazem frescor. Daí vem o sucesso das irmãs Karina e Kamila Pucci, sócias na grife Fethie. Com sede em Uberlândia, elas ganharam espaço no competitivo metiê fashion por meio da oferta de um produto tipicamente mineiro, handmade, artesanal. Porém, em roupagem pouco comum: enquanto a maioria borda roupas de festa, elas aplicam franjas, canutilhos, correntes, paetês, spikes, pedras naturais, semipreciosas, sementes, murano, conchas, cristais e mais uma infinidade de matérias-primas em modelos informais, para o dia a dia. Assim, camisetas, shorts, saias e casaquetos ganham aspecto único e são, por si só, capazes de destacar o estilo de quem veste. “Usamos nossa paixão pelo artesanal para estruturar uma empresa especializada em private label, que criava, desenvolvia e produzia bordados e aplicações para os principais designers e marcas brasileiras. Atuamos por 15 anos no mercado dessa forma, e nasceu um desejo de dar mais um passo à frente”, comenta Karina. “Nessa era de roupas descartáveis, acreditamos que precisamos de segredinhos feitos à mão para que a consumidora possa se sentir única. A proposta é ‘dress to impress’ ou vestir para ‘causar’”, reforça Kamila. Em novembro, a grife inaugurou a primeira loja própria, no Bairro Vila Nova Conceição, em São Paulo, cidade onde participa da feira CasaModa. Como atacado, a Fethie está em 80 pontos de venda no país (em BH, na Atroz, Chanté, Maria Antonieta e Badu Store) e pretende, em 2015, voltar ao Minas Trend. A dupla divide o estilo e lança três coleções por ano com um mix de 120 produtos cada. “As camisetas de malha customizadas sempre foram o DNA da marca, mas as estampas próprias que desenvolvemos ganharam muita força, seguidas das peças para a noite, curtos charmosos e com atitude, para quem não tem medo de brilho.” Entre os tecidos mais usados elas destacam os de fibras naturais como o linho. Na modelagem, apostam em uma alfaiataria leve e descontraída. O preço médio das peças varia de R$ 300 a R$ 5 mil. “Adoramos a atenção recente que a imprensa especializada vem oferecendo a Minas Gerais, ao Minas Trend e ao trabalho artesanal de bordados que é uma tradição nossa. Crescemos ouvindo a história do Markito em Uberaba, que marcou uma época com sua ousadia e talento nos anos 80. Essa criação mineira nos influenciou muito.”

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