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sexta-feira, 24 de outubro de 2014  

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Técnica brasileira que usa células-tronco no tratamento de angina refratária


Angina refratária

Técnica brasileira que usa células-tronco no tratamento de angina refratária é apresentada a especialistas em cirurgia cardíaca, em São Paulo

Resultados foram apresentados pelos pesquisadores da Cryopraxis/CellPraxis no V Simpósio Internacional de Novas Habilidades em Cirurgia Cardíaca

A Cryopraxis/CellPraxis apresentou na última sexta-feira, dia 02 de dezembro, durante a abertura do V Simpósio Internacional de Novas Habilidades em Cirurgia Cardíaca, em São Paulo, uma nova técnica para tratamento de angina refratária, utilizando células-tronco.

O diretor-médico da empresa de desenvolvimento de produtos para terapia celular, o cirurgião-cardíaco Nelson Hossne, ministrou a palestra "Protocolo ReACT na Angina Refratária", em que apresentou resultados inéditos da pesquisa recentemente finalizada, comprovando a eficácia da terapia com células-tronco para pacientes da doença.

O estudo realizado por uma equipe de cientistas brasileiros, liderada pelo Dr. Hossne, sob a orientação do Prof. Dr. Enio Buffolo, comprova que o tratamento com células-tronco é capaz de melhorar os sintomas da doença, como cansaço extremo, limitações físicas e intensa dor no peito, e que, até hoje, não tinham opção terapêutica eficaz. A pesquisa, já publicada no periódico "Cell Transplantation", é uma cooperação científica entre a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a Universety of South Florida (USF Health), a empresa Cryopraxis e a sua subsidiária CellPraxis, com foco em desenvolvimento de produtos para terapia celular.

No procedimento, os médicos retiram células-tronco adultas do próprio paciente, presentes na medula óssea, no osso da bacia, o que elimina o risco de rejeição. Uma formulação contendo estas células é preparada e, em seguida, injetada diretamente nas áreas afetadas do músculo cardíaco, por meio de um pequeno corte de dez centímetros. O procedimento recebeu o nome de ReACT (Refractory Angina Cell Therapy Protocol).

Desde 2005, os pesquisadores vêm avaliando um grupo de 20 pacientes com idades entre 53 e 79 anos que sofriam de angina refratária e não tinham mais opções cirúrgicas nem respondiam ao tratamento clínico. Em novembro de 2011, o último dos 20 pacientes passou pela cirurgia. Eles receberam a terapia com células-tronco e, em 80% dos casos, houve normalização do fluxo sanguíneo na área afetada. Metade dos pacientes deixou de sentir dor. Os demais apresentaram poucos episódios de sofrimento e, ainda assim, apenas quando realizam esforços físicos intensos. Cerca de 90% deles retomaram as atividades normais quatro meses após a cirurgia. Os cientistas afirmam que o alívio dos sintomas foi progressivo, sugerindo que não se trata de um efeito transitório. A melhora dos voluntários apareceu, em média, três meses após a cirurgia e continuou progredindo após um ano. Os pacientes foram avaliados clinicamente e por exames de imagem.

Dr. Hossne acredita que, uma vez aprovada pelos órgãos reguladores, o procedimento desenvolvido estará disponível a todos em curto prazo. "A apresentação do estudo para centenas de especialistas na Itália, no mês passado, e agora, em São Paulo, fazem com que a técnica se aproxime cada vez mais da realidade", diz o médico que mostrou ainda a realidade sócio-econômica dos pacientes de angina refratária. Dados do Hospital Santa Catarina apontam que, no Brasil, cada doente tem o gasto de cerca de R$ 120 mil, com uma média de 12 a 15 internações por ano. Após quatro anos de procedimento, os 20 pacientes praticamente zeraram os custos com hospitais.

Encerrando a sessão de palestras do dia, Dr. Eduardo Cruz, presidente da Cryopraxis/CellPraxis falou sobre o processo de patentes e as exigências do órgão regulador internacional FDA (Food & Drug Administration). Segundo Cruz, o desafio na área de terapia celular é transformar as pesquisas em produtos para os pacientes. "Hoje, há apenas cinco produtos de terapia celular aprovados pelo FDA. O número de pesquisas, no entanto, é da ordem de 33.5 milhões. Já sabemos que a terapia com células-tronco é uma realidade. Precisamos agora nos esforçar para traduzir esses esforços em produtos. Para isso, precisamos dar atenção extraordinária à regulamentação", finalizou.

Angina refratária: A angina, que pode ser classificada de 1 a 4, ocorre quando há alguma obstrução nas coronárias e o músculo cardíaco deixa de receber a quantidade necessária de sangue. Isso provoca cansaço extremo, limitações físicas e intensa dor no peito. A do tipo 4 é a mais severa e o paciente não consegue fazer nenhum tipo de atividade sem dor intensa e incapacitante. Estes pacientes são submetidos à cirurgia e a medicamentos de ultima geração. No entanto, há aqueles para os quais nenhuma cirurgia ou medicamento é capaz de aliviar os sintomas: são os casos de angina refratária. Se, por um lado, muitos trabalhos mostram que é difícil regenerar o músculo cardíaco, por outro, o estudo reforça a ideia de que é possível criar vasos sanguíneos. As células-tronco podem induzir a angiogênese, que é a formação desses vasos.

Fonte: Ciber Saúde


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